Rio Branco e Suíça
Rui Barbosa (?–1923)
O começo
Pelos telegramas aqui recebidos até à adiantada hora da tarde em que ontem escrevíamos, devemos considerar indubitável a vitória do Brasil no pleito do Amapá, vitória cabal, sem mescla, em toda a amplitude da nossa reivindicação.
Entre a República Francesa, empenhada em que, no art. 8º do tratado de Utrecht, chave da questão debatida, o rio Japoque, ou Vicente Pinzão, era o Araguari, que se lança no oceano cerca da foz do Amazonas, e a República dos nossos Estados Unidos, firme na sua tese de que a divisória fluvial indicada por aquele nome na convenção franco-lusitana de 1713 era o Oiapoque, o governo da Confederação Suíça pronunciou o seu laudo inteiramente em nosso favor.
No seu trabalho monumental, cujos volumes nos rodeavam, ao escrever estas linhas, à mesa de trabalho, evocando a imagem do grande brasileiro cuja obra ciclópea recompôs, ao sul e ao norte, as fronteiras da pátria, dizia o Barão do Rio Branco, encerrando a primeira das suas grandes memórias: “Entende o Brasil que a sua diuturna posse na margem esquerda do Amazonas e no curso inferior dos afluentes dessa margem torna indiscutíveis os seus direitos a todos os territórios ao sul dos montes Tumucumaque e de Acaraí.” A segunda memória, discutindo a francesa, e apresentando novos documentos, terminava com a mesma segurança, apontando como incontestavelmente demonstrada a identidade entre o nosso…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.