Livros › Aureliano José Lessa › A Criação

Capa de A Criação

A Criação

Aureliano José Lessa

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Quando tudo era Deus, quando só Ele / Pejava o horror do espaço; / Deus disse: — é bom que surja o Universo / Recuemos um passo. —

Depois coa destra contraindo o vácuo / Informe, e tenebroso, / Deixou cair o Universo inteiro / No espaço luminoso:

O silêncio expandiu-se; era um sussurro / De sublime harmonia; / Hino da vida, porque o sol girava / O primitivo dia.

Um chuveiro de mundos despenhou-se / Pelos desertos ares, / Como a saraiva, ou como os grãos de areia / Lá no fundo dos mares.

Rodava a terra verde, e a lua pálida, / Ia a noite após elas, / Mas caiu sobre as trevas, que fugiam, / Uma chuva de estrelas.

Os cometas correram desgrenhados, / Quais prófugos do inferno, / Levando aos astros dos confins da esfera / Os decretos do Eterno.

Do seu leito de abismos o oceano / Tenta em vão levantar-se; / Vem tombando, mugindo e espumando / Coas terras abraçar-se.

Abre o condor as asas sobre nuvens, / Leviatã dos mares; / E os jubados leões, bramindo atroam / Os ecos dos palmares.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Aureliano José Lessa