A Criação
O começo
Quando tudo era Deus, quando só Ele / Pejava o horror do espaço; / Deus disse: — é bom que surja o Universo / Recuemos um passo. —
Depois coa destra contraindo o vácuo / Informe, e tenebroso, / Deixou cair o Universo inteiro / No espaço luminoso:
O silêncio expandiu-se; era um sussurro / De sublime harmonia; / Hino da vida, porque o sol girava / O primitivo dia.
Um chuveiro de mundos despenhou-se / Pelos desertos ares, / Como a saraiva, ou como os grãos de areia / Lá no fundo dos mares.
Rodava a terra verde, e a lua pálida, / Ia a noite após elas, / Mas caiu sobre as trevas, que fugiam, / Uma chuva de estrelas.
Os cometas correram desgrenhados, / Quais prófugos do inferno, / Levando aos astros dos confins da esfera / Os decretos do Eterno.
Do seu leito de abismos o oceano / Tenta em vão levantar-se; / Vem tombando, mugindo e espumando / Coas terras abraçar-se.
Abre o condor as asas sobre nuvens, / Leviatã dos mares; / E os jubados leões, bramindo atroam / Os ecos dos palmares.
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