Mateus e Mateusa
Qorpo-Santo (?–1883)
O começo — CENA PRIMEIRA
MATEUS (caminhando em roda da casa; e Mateusa assentada em uma cadeira) - Que estão fazendo as meninas, que ainda as não vi hoje?!
MATEUSA (balançando-se) - E o Sr. Que se importa, Sr. Velho Mateus, com as suas filhas?
MATEUS (voltando-se para esta) - Ora é boa esta! A Sra. sempre foi, é, e será uma (atirando com a perna) - não só impertinente, como atrevida!
MATEUSA - Ora, veja lá, Sr. Torto (levantando-se), se estamos no tempo em que o Sr. A seu belo prazer me insultava! Agora eu tenho filhos que me hão de vingar.
MATEUS (abraçando-a) - Não; não, minha querida Mateusa; tu bem sabes que isso não passa de impertinências dos 80. Tem paciência. Vai me aturando, que te hei de deixar minha universal herdeira ( atirando com uma perna) do reumatismo que o demo do teu Avô torto meteu-me nesta perna! (atirando com um braço) das inchações que todas as primaveras arrebentam nestes braços! (abrindo a camisa) das chagas que tua mãe com seus lábios de vênus imprimiu-me neste peito! E finalmente (arrancando a cabeleira): da calvície que tu me pegaste, arrancando-me ora os cabelos brancos, ora os pretos, conforme as mulheres com quem eu falava! Se elas (virando-se para o público) os tinham pretos, assim que a…
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