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Eu Sou a Vida; Eu Não Sou a Morte

Qorpo-Santo (?–1883)

Religião e mito12 min de leitura11 páginas

O começo — Ato Primeiro

Se não tiveres cuidado, / Algum Cão danado / Te há de matar; / Te há destraçalhar!

LINDO -

Eu sou vida; / Eu não sou morte! / E esta minha sorte; / É esta minha lida!

LINDA -

Ind'assim, toma sentido!

Vê que é tudo fingido; Não creias algum louvor:

Sabei: - Te trará dor!

LINDO -

Se desrespeitará / A vida minha? / A desse, asinha, / - Ao ar voará!

LINDA -

Não te fies, meu Lindinho, / Dos que te fazem carinho, / Crê que te devoram / Os lobos; e não coram!

LINDO -

Sabei, ó Lindinha:

Os que me maltratam A si se matam:

Tu ouve; Anjinha!?

LINDA - Meu Lindo, tu sabes quanto te amo! Quanto te adoro! Sim, meu querido amigo, quem melhor conhece do que tu o amor que neste peito mortal, mas animado por esta alma (pondo a mão na testa) imortal, te consagro!? Ninguém, certamente. (Pegando-lhe na mão.) Adoças-me pois sempre com tuas palavras; com teus afetos; com teu amor ainda que fingido! Sim, meu querido amigo, bafeja-me sempre com o aroma de tuas palavras; com o perfume de tuas expressões! Sim, meu querido, lembra-te que hei sido baixel, sempre batido das tempestades, que por cinco ou seis vezes quase há soçobrado; mas que por graça Divina ainda viaja nos mares tempestuosos da vida!

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