Eu Sou a Vida; Eu Não Sou a Morte
Qorpo-Santo (?–1883)
O começo — Ato Primeiro
Se não tiveres cuidado, / Algum Cão danado / Te há de matar; / Te há destraçalhar!
LINDO -
Eu sou vida; / Eu não sou morte! / E esta minha sorte; / É esta minha lida!
LINDA -
Ind'assim, toma sentido!
Vê que é tudo fingido; Não creias algum louvor:
Sabei: - Te trará dor!
LINDO -
Se desrespeitará / A vida minha? / A desse, asinha, / - Ao ar voará!
LINDA -
Não te fies, meu Lindinho, / Dos que te fazem carinho, / Crê que te devoram / Os lobos; e não coram!
LINDO -
Sabei, ó Lindinha:
Os que me maltratam A si se matam:
Tu ouve; Anjinha!?
LINDA - Meu Lindo, tu sabes quanto te amo! Quanto te adoro! Sim, meu querido amigo, quem melhor conhece do que tu o amor que neste peito mortal, mas animado por esta alma (pondo a mão na testa) imortal, te consagro!? Ninguém, certamente. (Pegando-lhe na mão.) Adoças-me pois sempre com tuas palavras; com teus afetos; com teu amor ainda que fingido! Sim, meu querido amigo, bafeja-me sempre com o aroma de tuas palavras; com o perfume de tuas expressões! Sim, meu querido, lembra-te que hei sido baixel, sempre batido das tempestades, que por cinco ou seis vezes quase há soçobrado; mas que por graça Divina ainda viaja nos mares tempestuosos da vida!
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