Natal (Artigo)
Rui Barbosa (?–1923)
O começo
Disse-nos anteontem o telégrafo que as festas de hoje, em Inglaterra, serão desbotadas e tristes. O grande povo do Norte não terá este ano o righte merrie Christmas dos seus antepassados. Através dos seus lares, entre as crianças reunidas, o coração dos pais não sussurrará o contentamento dos velhos cantos de Herrick:
Come, bring with a noise,
My merrie, merrie boyes,
The Christmas Log to the firing.
Os meninos ali poderão lembrar-se com saudades do Natal de há um ano como dos de outros séculos os contempladores das coisas antigas:
England was Merry England, when
Old Christmas brought his sports again.
Entre os Natais históricos da Grã-Bretanha ficará este como o mais remoto de todos, o de 790, quando os Welsh acometeram de improviso os soldados de Offa, entre as alegrias desta data, trucidando-os; como o de 878, quando, em meio de regozijos semelhantes, se viu surpreendido Alfredo por Guthrum, cujos dinamarqueses caíram sobre o monarca inglês e suas forças, desbaratando-as, e foragindo-o; como o de 1065, quando Eduardo, maldoente e preso ao leito, não podia assistir à consagração da abadia de Westminster; como os de 1518 e 1525, quando a praga da smeating sickness, devastando a capital, obrigava o rei a não comemorar festivamente o nascimento do Salvador, ou a despir da sua solenidade e…
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