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O Último Concerto

Guimarães Júnior (?–1898)

Contos1 h de leitura52 páginas

O começo — I

Vi-o pela primeira vez no teatro de Santa Isabel, em Pernambuco, em uma noite em que a companhia italiana, dirigida por d. José Amat, dava o Barbeiro de Sevilha, a feiticeira pérola da coroa rossiniana.

Nada tem a minha história com a arquitetura ou com a empresa lírica do teatro pernambucano. Deixemos, pois, o edifício do Santa Isabel, que era graciosíssimo, e o empresário Amat, que ouve a esta hora os gorjeios vibrantes da Adelina Patti, para nos embebermos unicamente na essência que produziu este conto fugitivo e real, como a imagem da vida comum. Às oito horas em ponto apoderei-me da minha cadeira, pouco distante da orquestra. O regente moveu agilmente a batuta e os instrumentos entraram em campo, atacando com brio e com amor a introdução da ópera monumental.

Eu havia chegado da Corte poucos dias antes, e não estava disposto a perder a mais sutil particularidade da vida elegante de Pernambuco. Na véspera gozara os suaves eflúvios das auras do Caxangá; na antevéspera dormira em Apipucos, com as janelas do quarto abertas aos quatro ventos do céu e ao melancólico clarão da lua aventureira.

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