Herodes
Humberto de Campos (?–1934)
O começo
O vapor fluvial que demandava a região do Xingú, no Baixo-Amazonas, acabava de atracar ao pequeno trapiche do barracão ribeirinho, suspenso nas águas sobre duzentas antenas de madeira, no ponto em que o rio Mapuá se bifurca para melhor abraçar a floresta alagada, e onde eu vivia sozinho, com um miserável seringueiro empaludado. A água escura, quieta durante um mês, ondulava, agora, nervosa, assustada pelo choque das hélices da embarcação civilizada. Seringueiros opilados, com os olhos quase escondidos no rosto inchado e terroso, olhavam, de longe, debruçados no alpendre de zinco do armazém, o "gaiola" formigante de marinheiros e de "brabos", o qual havia deixado dias antes, e voltaria a…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.