Catimbau
Humberto de Campos (?–1934)
O começo
"BELÉM, 18 de janeiro - Os jornais desta capital noticiam a trágica morte ocorrida há dias nos campos da ilha de Marajó, município de Soure.
O destemido vaqueiro Narciso Viana, aí cunhado Catimbau, famoso domador de touros, prometeu â sua namorada que, em troca de um beijo, laçaria um touro bravio que esta lhe indicou.
Narciso perseguiu o animal, fez prodígios de equitação, rivalizando em rapidez com a destreza do touro. Afinal, atirou o laço, enrolando-se este acidentalmente, em torno do vaqueiro, que foi cuspido da sela. Estando a ponta do laço presa â cilha foi estrangulado o bravo sertanejo, sendo arrastado pelo cavalo cerca de légua e meia.
Os companheiros da fazenda do infeliz cavaleiro, conseguiram, depois de grande correria, apoderar-se do sangrento cadáver de Narciso Viana, entregando-o â sua namorada, que, involuntariamente, causara a sua morte
(Telegrama da Agência Americana).
Entre os vaqueiros do Campo-Alegre, a famosa fazenda marajoara, era Catimbau, sem dúvida, o mais destemido. À tarde, quando a campina, extensa a perder de vista, começava a cobrir-se da cinza tênue com que a noite polvilha o seu caminho, era ele o primeiro a esporear o cavalo na extremidade da planície, e a estacar, de repente, no alpendre da casa, o chapéu de couro para a nuca, o chicote na mão, disposto, após doze horas de campo, como se voltasse de um passeio domingueiro.
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