A Mina
Humberto de Campos (?–1934)
O começo
A notícia daquela descoberta correra célere por toda a comarca, por toda a província, por todo o país. Há muito tempo se suspeitava a existência de uma opulenta jazida de ouro ali mesmo, na encosta da serra, entre a linha de córregos, que desabava da montanha; ninguém se havia aventurado, todavia, a uma pesquisa mais demorada, mais completa, mais eficiente, até que chegou da África do Sul, via Londres, especialmente contratado para estudar o terreno, aquele engenheiro tostado do e de chapéu de cortiça, que espantara logo a vila com a excentricidade das suas roupas e a bizarria das suas maneiras.
Informado da exploração feita pelo inglês, ordenou o coronel Jesuíno Botelho que se iniciassem logo as escavações, para não perder tempo. Os maquinismos aperfeiçoados e modernos estavam, já, em viagem, pedidos por telegrama; enquanto, porém, não chegavam, iriam os homens perfurando o grande poço, em busca do veeiro, que ficava, na opinião do técnico, a oitenta metros da superfície.
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