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Eu Nunca Guardei Rebanhos

Alberto Caeiro

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Eu nunca guardei rebanhos, / Minha alma é como um pastor, / Conhece o vento e o sol / E anda pela mão das Estações / A seguir e a olhar. / Toda a paz da Natureza sem gente / Vem sentar-se a meu lado. / Mas eu fico triste como um pôr de sol / Para a nossa imaginação, / Quando esfria no fundo da planície / E se sente a noite entrada / Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego / Porque é natural e justa / E é o que deve estar na alma / Quando já pensa que existe / E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos / Para além da curva da estrada, / Os meus pensamentos são contentes. / Só tenho pena de saber que eles são contentes, / Porque, se o não soubesse, / Em vez de serem contentes e tristes, / Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva / Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos / Ser poeta não é uma ambição minha / É a minha maneira de estar sozinho.

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