O Parocho da Aldeia
Alexandre Herculano (1810–1877)
O começo — Prologo
Como a filosofia é triste e arida! Às vezes, na primavera, o vento norte atira-se pelas encostas, tombando dos visos da serra, como se uma inteligência vivesse nele, inteligência de maldade e destruição. De noite e de dia os troncos das arvores torcem-se e gemem, as ramas açoutam-nos, e despedaçam-se involtas nos braços longos e flexíveis da ventania: o demônio do septentrião sibilla no meio delas um zumbido entre de lamento e descárnio. Debalde o bosque estende saudoso por um momento os seus mais altos raminhos para o sol que se vai alevantando no oriente: a rajada despega de novo da cumiada da montanha; o bosque curva-se para o meio-dia; e galgando por cima daquelas mil frontes inclinadas…
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