Livros › Tomás Antônio Gonzaga › Marília de Dirceu

Capa de Marília de Dirceu

Marília de Dirceu

Tomás Antônio Gonzaga

O pastor Dirceu cantando Marília; na segunda parte, a prisão do poeta pela Inconfidência.

Poesia1 h 40 de leitura87 páginas

O começo — I/I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro / Que viva de guardar alheio gado; / De tosco trato, de expressões grosseiro, / Dos frios gelos e dos sóis queimado. / Tenho próprio casal e nele assisto; / Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; / Das brancas ovelhinhas tiro o leite / E mais as finas lãs de que me visto. / Graças, Marília bela, / Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte; / Dos anos inda não está cortado. / Os pastores que habitam este monte / Respeitam o poder do meu cajado: / Com tal destreza toco a sanfoninha, / Que inveja até me tem o próprio Alceste: / Ao som dela concerto a voz celeste, / Nem canto letra que não seja minha. / Graças, Marília bela, / Graças à minha Estrela!

Mas tendo tantos dotes da ventura, / Só apreço lhes dou, gentil Pastora, / Depois que teu afeto me segura / Que queres do que tenho ser senhora. / É bom, minha Marília, é bom ser dono / De um rebanho que cubra monte e prado; / Porém, gentil Pastora, o teu agrado / Vale mais q'um rebanho, e mais q'um trono. / Graças, Marília bela, / Graças à minha Estrela!

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Tomás Antônio Gonzaga