Paz... Mas que Paz?
Rui Barbosa (?–1923)
O começo
Não participo, absolutamente, no entusiasmo, com que vejo receberem-se, em geral, as condições de paz delineadas na proposta alemã e nas notícias da encenação com que o governo do Kaiser procura dramatizá-la.
Sem dúvida nenhuma, por um lado, o seu valor não tem medida. É a mais estrondosa confissão, pela Alemanha, de que ela já não acredita na sua invencibilidade. Mas, ao mesmo tempo, é o mais hábil golpe diplomático e o mais estupendo ardil militar, que se poderia conceber. Ele remove a questão do terreno das armas, onde já estava irremediavelmente perdida pela Alemanha, para o da esgrima política, em que ela ainda se poderia salvar, se os seus adversários se deixassem enlear nos fios do admirável estratagema.
Permita Deus que não se deixem. Com três fiadores como esses gigantes que se chamam Wilson, Loyd George e Clemenceau, não devemos ter sustos. Mas, não fora isso, e os termos em que se acha estabelecido o problema, seriam para nos fazer recear o mais grave dos perigos.
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