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O Pintor

Humberto de Campos (?–1934)

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O começo

O salão de pintura havia aberto, naquele ano, com uma concorrência desusada de trabalhos de mérito. Amoedo, os Timóteos, Santiago, Fanzers, Bicho, haviam concorrido com verdadeiras galerias. Ao lado de animais domésticos pintados para o almoço por um artista de São Paulo, via-se uma salada de alface de João Batista da Costa, seguida, logo, de uma abundante sobremesa de frutas, preparada por Augusto Petit para a Sociedade Nacional de Pomicultura.

O grande sucesso desse ano era, porém, a contribuição de Pedro Rogério, o artista vitorioso com que o Rio Grande do Sul acabava de brindar o Brasil. Forte, musculoso, bonito, com uma forte cabeleira negra e uns olhos negros como os cabelos, o jovem pintor brasileiro especializara-se em pintar bebês, de quatro anos para baixo. A sua galeria de crianças era um encanto, pela graça, pela inocência, pela verdade com que ele apanhava, num traço, numa atitude, num sorriso, toda a complexidade da alma infantil. Despeitados com o sucesso do provinciano de gênio os companheiros aventuraram pilhérias:

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