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Contos d'Aldeia

Alberto Leal Barradas Monteiro Braga (1851–?)

Contos1 h 40 de leitura86 páginas

O começo — A GUERRA

Logo abaixo dos açudes, ficava de uma banda do rio a azenha do Euzebio moleiro, e da margem oposta, um pouco mais abaixo, a azenha do tio Anselmo.

Eram dous velhotes viúvos, de bons sessenta anos, e amigos desde crianças. Para contradição do anexim popular, estes dois moleiros queriam-se como dois irmãos, a despeito de serem do mesmo ofício.

Parece que o rio, naquele sítio, era até mais pitoresco! Por detrás das azenhas descia a enfesta de uma cerrada deveza de carvalhos e sobreiros, com o atalho aberto ao meio, que era por onde seguiam os machos carregados com os taleigos da fornada. Mesmo à ourela havia alguns amieiros e choupos, que se debruçavam sobre o rio. As águas caídas nos açudes, vinham costeando uma gandara, escondiam-se em meio de um canavial, e surgiam depois mais límpidas até às rodas do moinho, que as marulhavam e batiam constantemente.

No verão, quando a levada era minguada, os dois velhotes visitavam-se a miúdo, atravessando destemidamente pelas poldras; mas, quando as chuvas do outono principiavam a tornar o rio caudaloso, limitavam-se então a falar de um lado para o outro. Era triste! Já tão velhotes! E depois dizia o Euzebio:

Alberto Leal Barradas Monteiro Braga (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.

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