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O Enjeitado

Alberto Leal Barradas Monteiro Braga (1851–?)

RomanceContos36 min de leitura32 páginas

O começo — ALBERTO BRAGA

A Joaquina do Espinhal tinha ido, no fim da tarde, lavar ao rio a roupa dos pequenos. Era no mês de dezembro. A água corria por entre os choupos, fria e levemente encrespada pela brisa que soprava do norte. Joaquina do Espinhal, com as saias arregaçadas na cintura, as pernas metidas na água ate ao joelho, ensaboava a roupa e batia-a com força sobre a pedra poida e lustrosa do lavadouro.

Da outra banda, pelo carreiro que havia à beira do rio, passou o filho do moleiro a tanger os machos. O rapaz ia tranzido de frio, com a gola da jaqueta apanhada para as orelhas, a assobiar alto. Assim que reconheceu a lavadeira, parou, fincou a mão ao tronco de uma arvore, e, debruçando-se sobre o rio, perguntou de lá:

—Vocemecê não tem frio?

A Joaquina aprumou-se e respondeu:

—Ai! és tu, Jeronymo! Frio? Quem fala nisso? Quando a gente tem filhos, não deita conta a nada. Onde ides?

—Vou levar a fornada a casa do sr. doutor.

Alberto Leal Barradas Monteiro Braga (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.

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