
Histórias das Ilhas
Maximiliano de Azevedo (1850–?)
O começo — O Casamento do Veterano
¿Su esposo la perdona aunque lo infama? ¿Ama y perdona?—Es imposible; no ama. CAMPOAMOR.
No dia em que o Jorge casou com a filha da Isabel houve grande reboliço no Castello de S. João Baptista. Depois da missa regimental, o padre capelão de caçadores 10 recebeu os noivos, com prévia dispensa do prelado da diocese, na grande capela da fortaleza. Era numerosa a assembleia, formada especialmente pelos curiosos.
Officiaes e soldados, logo que o batalhão destroçou, correram para o templo, onde já encontraram muitas mulheres, algumas de manto , aguardando anciosas a chegada do cortejo nupcial, e fazendo em voz baixa e com enorme dispendio de gestos, abundantes comentários, qual deles mais frisante, à resolução tomada pelo cabo de veteranos.—Escolher para mulher uma raparigota, que podia à vontade ser sua neta!—
—Eu cá por mim, exclamava a Luiza Braga, escancarando a boccaça meio desdentada, ia jurar que lhe deram coisa para querer bem . Aqui onde me vêm, destrinço o Jorge desde rapaz pequeno, e nunca lhe descobri tenções de casar. Não era então aos cinquenta e oito anos, que estando com o juízo todo, havia de… Nada! Nada! Ele bem sabe que «albarda nova em burro velho é matadura certa».
Maximiliano de Azevedo (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.