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Neves de Antanho

António Maria José de Melo César e Meneses, conde de Sabugosa (1854–?)

História5 h 30 de leitura290 páginas

O começo — EXPLICAÇÃO PRÉVIA

Entrando a entoar, com uma pontinha de melancolia, a celebre balada— Dames du temps jadis , o poeta François Villon, em sua linguagem docemente archaica e ao de leve desbotada, interroga, num estribilho famoso:— Où sont les neiges dantan?

La Royne Blanche come un lis, / Qui chantait à voix de sireine, / Berthe au grand pied, Biettris, Allix, / Harembouges qui tint le Mayne, / Et Jehanne la bonne Lorraine / Que Angloys brulèrent à Rouen, / Où sont-ils, Vierge, souveraine?… / Mais où sont les neiges dantan?

Já séculos antes deste poeta aulico do quinhentismo francês, o Rei Trovador D. Diniz, numa das suas cantigas de escarnho, empregára em bom português desse tempo o vocábulo antano .

E o nosso Jorge Ferreira de Vasconcellos, com menos graça, mas com vernacula autoridade, legitima, na sua Aulegraphia dizendo:— hûa hora de um bom acerto como o de Antanho —a expressiva locução, que tão de jeito me serve para designar, no livro que ides ler, as figuras ou as cousas, que se vão diluindo no passado, como neves derretidas pelo tempo.

António Maria José de Melo César e Meneses, conde de Sabugosa (autor) morreu em 1923; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1994.

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