
Memórias de José Garibaldi — Volume 2 Traduzidas do Manuscrito Original por Alexandre Dumas
Giuseppe Garibaldi (1807–1882)
O começo — I TUDO PERDIDO, SALVO A HONRA
O verdadeiro motivo da expedição não era levar socorros aos habitantes de Corrientes e rehabilitá-los, mas sim de se desembaraçarem de mim.
Como é que sendo tão insignificante tinha tantos inimigos? Eis um segredo que nunca pude profundar.
Quando entrei o rio, o exercito oriental achava-se em S. José de Uruguai e o de Oribe em Boyada, capital da província d'Entre-rios. Ambos se preparavam para a luta e o exercito de Corrientes pela sua parte dispunha-se a unir-se ao exercito oriental.
Tinha a meu cuidado vigiar desde o Parana até Corrientes, isto é, uma distancia de seiscentas milhas entre as duas margens inimigas, e ainda mais, perseguido por uma esquadra, quatro vezes superior à minha.
Durante esta passagem não podia causar medo senão às ilhas ou costas desertas.
Quando deixei Montevideo havia cem a apostar contra um que nunca mais lá voltaria.
Logo à saída de Montevideo sustentei um primeiro combate, contra a bateria de Martinho Garcia, ilha situada ao pé da confluência dos dous grandes rios, Uruguai e Paraná, perto da qual é absolutamente necessário passar, visto que um só canal existe a alcance de tiro, para os navios de uma certa tonelagem.
Giuseppe Garibaldi (autor) morreu em 1882; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1953.