
Ultimatum
O começo — Abertura
Mandado despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu, Anatole France, Epicuro de pharmacopeia homeopathica, tenia-Jaurès do Ancien Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezessete, falsificada!
Fora tu, Maurice Barrès, feminista da Acção, Châteaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comercio!
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psychologo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a regua de lascas os mandamentos da lei da Egreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-practico do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
Fora! Fora!
Fora tu, George Bernard Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Especies !
Alvaro de Campos (autor) morreu em 1935; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2006.