
A Ilha Misteriosa
Júlio Verne (?–1905)
Cinco náufragos reconstroem a civilização numa ilha deserta, vigiados por um benfeitor invisível.
O começo — Capítulo 1
"Estamos subindo novamente?" "Não. Pelo contrário". "Estamos descendo?" "Pior do que isso, capitão! estamos caindo!" "Por amor do céu, levante o balástico!" "Aí! o último saco está vazio!" "O balão sobe?" "NÃO!" "Ouço um barulho como o saque de ondas. O mar está abaixo do carro! Não pode estar a mais de 500 pés de nós!" "Aborda com todo o peso! ... tudo!"
Tais foram as palavras fortes e surpreendentes que ressoaram no ar, acima do vasto deserto aquoso do Pacífico, por volta das quatro da tarde de 23 de março de 1865.
Poucos podem ter esquecido a terrível tempestade do nordeste, no meio do equinócio daquele ano. A tempestade se estendia sem intervalo de 18 a 26 de março. Os seus estragos foram terríveis na América, Europa e Ásia, cobrindo uma distância de dezoitocentos milhas, e se estendendo obliquamente até o equador a partir do trinta e cinco paralelo norte para o paralelo sul quarenta. Cidades foram derrubadas, florestas desarraigadas, costas devastadas pelas montanhas de água que foram precipitadas sobre elas, navios lançados na costa, que os relatos publicados numerados por centenas, distritos inteiros nivelados por chuvas de água que destruíram tudo que passaram, vários milhares de pessoas…
Autor morreu em 1905; obra em domínio público no Brasil desde 1976 (Lei 9.610/98, art. 41). Esta tradução é nossa, feita do original — art. 14.