
Últimos Cantos: Poesias
Antônio Gonçalves Dias (1823–?)
O começo
Minha alma não está comigo, não anda entre os nevoeiros dos Órgãos, involta em neblina, balouçada em castelos de nuvens, nem rouquejando na voz do trovão. Lá está ela! — lá está a espreguiçar-se nas vagas de S. Marcos, a rumorejar nas folhas dos mangues, a sussurrar nos leques das palmeiras : lá está ela nos sítios que os meus olhos sempre virão, nas paisagens que eu amo, onde se avista a palmeira esbelta, o cajazeiro coberto de cipós, e o pau darco coberto de flores amarelas. Ali sim,— ali está— desfeita em lagrimas nas folhas das bananeiras — desfeita em orvalho sobre as nossas flores, desfeita em harmonia sobre os nossos bosques, sobre os nossos rios, sobre os nossos mares, sobre tudo…
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