Os Timbiras: Poema Americano
Antônio Gonçalves Dias (1823–?)
O começo
Impresso em Leipzig por F. A. Brockhaus.
A MAJESTADE
DO MUITO ALTO E MUITO PODEROSO PRÍNCIPE O SENHOR
D. PEDRO II
IMPERADOR CONSTITUCIONAL E DEFENSOR PERPETUO
DO BRAZIL.
INTRODUCÇÀO.
Os ritos semibarbaros dos Piagas,
Cultores de Tupan, e a terra virgem
Donde como de um trono, enfim se abrirão
Da cruz de Christo os piedosos braços;
As festas, e batalhas mal sangradas
Do povo Americano, agora extinto,
Hei de cantar na lira. — Evoco a sombra
Do selvagem guerreiro! . . . Torvo o aspecto,
Severo e quase mudo, a lentos passos,
Caminha incerto, — o bipartido arco
Nas mãos sustenta, e dos despidos ombros
Pende -lhe a rota aljava .... as entornadas,
Agora inúteis setas, vão mostrando
A marcha triste e os passos mal seguros
De quem, na terra de seus pães, embalde
Procura asilo, e foge o humano trato.
Quem poderá, guerreiro, nos seus cantos A voz dos piagas teus um só momento Repetir; essa voz que nas montanhas Valente retumbava, e dentro dalma Vos ia derramando arrojo e brios, Melhor que taças de cauim fortíssimo?! Outra vez a chapada e o bosque ouvirão Dos filhos de Tupan a voz e os feitos E as pocemas de morte, levantadas Dentro do circo, onde o fatal delito Expia o malfadado prisioneiro, Q'enxerga a maça e sente a mussurana Cingir-lhe os rins a ennodoar-lhe o corpo: E só de os escutar mais forte acento Haverião de achar nos seus refolhos O monte e a selva e novamente os échos.
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