Terra Proibida
Teixeira de Pascoaes (?–1952)
O começo
Nos vossos tristes areais ninguém descansa.
Eternamente, eternamente, viajamos ! . . .
TERRA PROHIBIDA
Continuava subindo ... A luz do meu olhar
Mais cemitérios e ruínas descobria . . .
Passava o vento, p'ios penedos, a chorar
As lagrimas talvez que eu já chorei, um dia. . .
E, nos meus pés, as silvas bravas se prendiam. . .
Abraçavam-se a mim . . . que, sem dor, as calcava !
Para a terra, a voar, negras aves desciam ;
O infinito do céu parece que as cansava . . . Cheguei ao alto. E os vales, fundos como poços, Eram rios de treva, águas de escuridão . . . A chorar, fui sentar-me sobre estes destroços Da minha pátria morta e do meu coração ! Olhei então pVo céu ... Só ruínas descobri, Cinzas de deuses, desperanças, de quimeras. Que vós perdestes, homens de hoje, e que eu perdi. Mas que tivestes já, homens dantigas eras ! Senti, dentro do peito, o coração gelado E as lagrimas do meu olhar arrefeceram . . . A vida de hoje deixa tudo desolado : — As nossas almas todas, todas se perderam ! Tudo em ruínas caiu ! Tudo ficou desfeito ! O mundo atual é uma profunda sepultura ; Ainda é, p'ra tanta dor, tumulo…
A instituição que digitalizou declara a obra fora de direito autoral (Internet Archive, possible-copyright-status: NOT_IN_COPYRIGHT). Texto obtido por OCR: pode conter erros de leitura.