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Continuação do Portugal Enfermo por Vícios, e Abusos de Ambos os Sexos

José Daniel Rodrigues da Costa (1757–1832)

PoesiaHumorPolítica e sociedade47 min de leitura41 páginas

O começo — PROLOGO.

Curioso Leitor, ou Ouvidor, que não te escandalizo neste segundo nome, porque também he de lugar de letras, consta este Folheto da Segunda Parte de Portugal Enfermo por vícios, e abusos: continua na mesma critica, na mesma boa moral, e com a costumada jovialidade. Mas se ainda assim mesmo achares este Folheto sem sal, dá-lhe alguma desculpa; porque foi acabado agora, e por isso vai muito fresco. Primeiro que o publicasse, fui consultar (como costumo em todas as minhas Obras, seguindo o preceito dos nossos antigos Mestres) com talentos superiores aos meus, judiciosos, e de bom critério, que com sinceridade me asseverárão que este Folheto levava vantagem ao primeiro. Si ita est, fiat.

Não passárão de quatro até cinco gênios mordazes, que não lhe podendo pôr outro defeito, foram publicando que a Obra não era minha, a ver se isto pegava, como pegou a moda do Tiro-liro por toda a parte. Ora vejão{IV} Vossas Mercês, pelo amor de Deos, que tal ficaria eu quando mo disseram! A Obra não será minha; mas o primeiro Folheto imprimio-se, e reimprimio-se, e eu recebi o produto de mil e quinhentos Folhetos. Talvez que estes indivíduos campem melhor no público com cavalos emprestados, trastes, e dinheiros alheios, do que eu com versos de outrem! Nunca fui plagiario; antes os tenho encontrado de obras minhas: e desde a primeira, que imprimi, que foi a Obra dos Opios, ainda não mudei de…

José Daniel Rodrigues da Costa (autor) morreu em 1832; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1903.

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