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A Descoberta da Índia

Manuel Pinheiro Chagas (1842–1895)

Romance2 h 20 de leitura121 páginas

O começo

ASTOR, LfN»X AN» TUiOBN rour»ATMMII B 1951 L THE NFW YORK ( PUBLIC LIBRARY A8T0B, LENOX AND TILDEN FOUNDATIONS E L De como Gaspar Correia, numa noite de luar, apanhou assumpto para a sua primeira lenda STAVA-SE em 1515, acabava de fallecer AfTonso de Albuquerque, e a índia portuguesa parecia fulminada por essa grande perda. Calavam-se diante desse cadáver as maledicências e as inimizades. Como acontece sempre, apenas o colosso desabara lodos lhe tinham reconhecido a grandeza, e a falta imensa que ele fazia. Em Goa, portuguesa havia tão pouco tempo, a dor era profundíssima e parecia que um iucto imenso envolvia a cidade.

Estava uma noite de luar lindíssima, e nas águas de Goa navegava, em direção à cidade, uma fusta ligeira e elegante, em cuja amurada batiam espumando as pequeninas ondas do mar indiano. Inflammava-se a esteira com a ardência, e n esse rastilho luminoso cravava olhos pensativos um moço bem trajado, envol-to numa capa com que se resguardava do frio da noite. Ia à popa; e junto dele o homem do leme, um velho marinheiro, com o rosto enrugado e tisnado pelo sol da índia, guardava também silencio profundo. Quando, porém, a cidade começou a aparecer ao longe, branqueada pelo luar, com a sua fisionomia ainda com- [)lelamente indiana, o velho marinheiro soltou um suspiro profundo.

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