Cancioneiro de João de Lemos
João de Lemos (1819–1890)
O começo — Flores e Amores/Introdução
Em duas diversas épocas, com dois títulos diferentes, anunciei a publicação dos meus versos, e de ambas as vezes deixei o anuncio por mentiroso.
Não me arrependo; ainda me não arrependi até hoje.
De anunciar a publicação, sim; de deixar de publicar, não.
Quando deitei o primeiro pregão, estava ainda nos bancos da Universidade. Incitaram-me a isso aplausos e instancias de amigos, talvez cegos pela amizade e de certo tão inexperientes como eu, que os attendi, ao principio, porque também a vaidade de criança me andava seduzindo para lhes dar ouvidos.
Por fortuna, depois, ora com a preguiça ora com a reflexão, resisti a mim e a eles.
Deles me lembra, entre outras, uma batalha em forma que me deu o meu excelente e particular amigo A. X. Rodrigues Cordeiro , em um dos caes do Mondego, com aquele fogo que a sua organização acende em todos os afetos generosos. Arrufamo-nos até. Outro meu bom amigo, que também estava presente, Augusto José Gonçalves Lima , foi quem deitou água na fervura daqueles amigáveis enfados.
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