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Cancioneiro de João de Lemos

João de Lemos (1819–1890)

Poesia6 min de leitura5 páginas

O começo — Flores e Amores/Introdução

Em duas diversas épocas, com dois títulos diferentes, anunciei a publicação dos meus versos, e de ambas as vezes deixei o anuncio por mentiroso.

Não me arrependo; ainda me não arrependi até hoje.

De anunciar a publicação, sim; de deixar de publicar, não.

Quando deitei o primeiro pregão, estava ainda nos bancos da Universidade. Incitaram-me a isso aplausos e instancias de amigos, talvez cegos pela amizade e de certo tão inexperientes como eu, que os attendi, ao principio, porque também a vaidade de criança me andava seduzindo para lhes dar ouvidos.

Por fortuna, depois, ora com a preguiça ora com a reflexão, resisti a mim e a eles.

Deles me lembra, entre outras, uma batalha em forma que me deu o meu excelente e particular amigo A. X. Rodrigues Cordeiro , em um dos caes do Mondego, com aquele fogo que a sua organização acende em todos os afetos generosos. Arrufamo-nos até. Outro meu bom amigo, que também estava presente, Augusto José Gonçalves Lima , foi quem deitou água na fervura daqueles amigáveis enfados.

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