O Crepúsculo da Tarde
O começo
Anão e servos, menestrel e bardos, / o árabe narrador e as bailarinas / desertaram das salas do banquete. / Haydéa e seu amante, a sós, estavam, / vendo o sol que em desmaio no ocidente / bordava o céu de franjas cor-de-rosa.
Ave-Maria! estrela do viandante, / tu conduzes ao pouso o peregrino / que anda, longe dos seus, na terra estranha. / Salve, estrela do mar; em ti se fitam / olhos e coração do marinheiro / que no oceano te saúda agora. / Salve, rainha excelsa, Ave-Maria! / Ei-la que chega a hora do teu culto, / à tardinha, em céu meigo, à luz do ocaso!
Bendita seja est'hora tão querida, / e o tempo, e o clima, e os sítios suspirados, / onde eu gozava na manhã da vida / o enlevo, - o santo enlevo, - deste instante! / Soava ao longe, - bem me lembro ainda, - / na velha torre o sino do mosteiro; / subia ao céu em notas morredouras / o harmonioso cântico da tarde; / era tudo silêncio, - e só se ouvia / a natureza a suspirar seus hinos / de arroubo e fé, - de devoção e pasmo.
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