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As Trevas

Lord Byron

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

A MEU AMIGO. O DR. FRANCO MEIRELLES, INSPIRADO TRADUCTOR DAS MELODIAS HEBRAICAS.

Tive um sonho que em tudo não foi sonho!..

O sol brilhante se apagára; e os astros, / Do eterno espaço na penumbra escura, / Sem raios e sem trilhos, vagueavam. / A terra fria balouçava céga / E tetrica no espaço ermo de lua. / A manhã ia, vinha… e regressava…

Mas não trazia o dia! Os homens pasmos / Esqueciam no horror dessas ruínas / Suas paixões. E as almas conglobadas / Gelavam-se num grito de egoismo / Que demandava — luz. Junto às fogueiras / Abrigavam-se… e os tronos e os palácios. / Os palácios dos reis, o albergue e a choça / Ardiam por fanaes. Tinham nas chamas / As cidades morrido. Em torno às brasas / Dos seus lares os homens se grupavam, / P'ra a vez extrema se fitarem juntos. / Feliz de quem viria junto às lavas / Dos volcões sob a tocha alcantilada!

Hórrida esp'rança acalentava o mundo! / As florestas ardiam!… de hora em hora / Cahindo se apagavam; crepitando, / Lascado o tronco desabava em cinzas. / E tudo… tudo as trevas envolviam. / As frontes ao clarão da luz doente / Tinham do inferno o aspecto… quando às vezes / As faíscas das chamas borrifavam-nas. / Uns, de bruços no chão, tapando os olhos / Choravam. Sobre as mãos cruzadas — outros / Firmando a barba, desvairados riam. / Outros correndo à tôa procuravam / O ardente pasto p'ra funercas pyras. / Inquietos, no esgar do desvario.

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