Leonor (Gottfried August Bürger)
Gottfried August Bürger (?–1794)
O começo
Ralada de ruins sonhos / Já desperta está Leonor, / E 'inda agora os céus doriente / Da manhã tingiu o alvor.
«Guilherme, és morto?―ela exclama― / Ou trahiste a pobre amante? / Se vives, porque retardas / De te eu ver feliz instante?»
Nas tropas de Friderico / Tempo havia que partíra / Para a batalha de Praga, / E cartas dele quem vira?
Mas a imperatriz e o rei / De guerras, enfim, cansados, / Depondo os ânimos feros, / De paz faziam tratados.
Já aos seus lares tornavam / Ambas as hostes folgando. / Cingem frentes ramos verdes; / Vem atabales rufando.
E por montes e por vales / Velhos e moços chegavam, / Dando brados de alegria, / A encontrar os que voltavam.
―«Boa vinda! Adeus!―diziam / As filhas, noivas, e esposas. / E Leonor? Nenhum dos vindos / Lhe faz caricias saudosas.
Por Guilherme ela pergunta; / Por qual estrada viria. / Vão trabalho; vans perguntas: / Novas dele quem sabia?
Não o vê. Passaram todos… / Em furioso devaneio, / Ei-la arranca as negras tranças; / Fere crú o lindo seio.
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