O Caçador Feroz
Gottfried August Bürger (?–1794)
O começo
Sua buzina tocára / O conde, altivo senhor: / «De pé, de cavalo, alerta!― / Disse; e monta o corredor.
O nobre animal relincha: / Pula e parte; e a turba após. / Ei-los vão! Quem era o conde? / Era o caçador feroz .
Por estevaes e por sarças, / Por campinas cultivadas, / Voam rápidos. Ressoam / Motejos, gritos, risadas.
O sol que vinha rompendo / Em luz as veigas banhava, / E do zimborio do templo / O lanternim scintillava.
« Tlim, tlão! ―convocando à missa, / Tangia o sagrado sino; / E involto nos sons de um orgam, / Do coro se ouvia o hino.
Duas sendas lá se cruzam; / E a turba chegara lá. / Da direita um cavaleiro, / E outro da esquerda está.
Nedio ginete, qual neve / Alvo, guiava o primeiro; / O segundo, à rédea solta, / Esporeava um fouveiro.
Quem tais cavaleiros eram / Creio certo adivinha-lo, / Bem que ainda com certeza / Não me atreva a declara-lo.
Da direita ao cavaleiro / Fulgia o rosto formoso; / Porém no olhar do da esquerda / Fulgor havia horroroso.
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