Meu Amor! Adoro-te!
Belmonte (?–1947)
O começo — Prefacio
AMOR, na opinião respeitável dos sábios (os sábios são os homens que “explicam” por hipóteses e “definem” por suposições) é “um sentimento estranho cuja origem se perde ma noite dos tempos”.
A “definição” é vaga. E', talvez, inútil, mas razoável, em se tratando de coisa tão complexa e, por isso mesmo, indefinível. Perdoemos, pois — pobres de espirito que somos — a escapatoria subtil da noite cronológica e, sem indagar as razões por que a ciência se apavora com duendes e não se mete por essa “noite” a dentro, para trazer de lá o “xis” de muitas coisas, contentemo-nos em examinar os subsídios que ela nos traz para que hoje, neste século curioso e frívolo, saibamos como agiu o primeiro homem, no “momento solene” da conquista da primeira mulher.
Os paleontólogos, crentes na infallibitidade de suas doutrinas, falam em encadeamento de raças, evoluções da especie, células primordiaes, gerações espontâneas.. Pouco depois, porém, deixam pender os braços desalemtados porque, à série sem fim de explicações dogmáticas, segue-se, irônica e fatal, a mesma obscuridade das coisas inexplicadas, que continuam sendo, pelos séculos em fora, coisas inexplicáveis.
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