Livros › Alcântara Machado › A Insigne Cornélia

Capa de A Insigne Cornélia

A Insigne Cornélia

Alcântara Machado (?–1935)

Contos9 min de leitura8 páginas

O começo

O sol batia nas janelas. Ela abriu as janelas. O sol entrou.

- Nove horas já, Orozimbo! Quer o café?

- Que mania! Todos os dias você me pergunta. Quero, sim senhora!

Não disse palavra. Endireitou a oleogravura de Teresa do Menino Jesus (sempre torta) e seguiu para a cozinha. O café já estava pronto. Foi só encher a xícara, pegar o açúcar, pegar o pão, pegar a lata de manteiga, pôr tudo na bandeja. Mas antes deu uma espiada no quarto do Zizinho. Deu um suspiro. Fechou a porta à chave. Foi levar o café.

- E a Folha.?

- Acho que ainda não veio.

- Veio, sim senhora! Vá buscar. Você está farta de saber…

Para que ouvir o resto? Estava farta de saber. Trouxe a Folha. Voltou para a cozinha.

- Aurora! Ó Aurora!

Pensou: essa pretinha me deixa louca.

- Onde é que você se meteu, Aurora?

Pensou: só essa pretinha?

Começou a varrer a sala de jantar. E a resolver o caso da Finoca. O médico quer tentar de novo as injeções. Mas da outra vez deram tão mal resultado. Será que não prestavam? Farmácia de italiano não merece confiança. Massagem é melhor: se não faz bem mal não faz. Só se doer muito. Então não. Chega da coitadinha sofrer.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Alcântara Machado