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Rosa, Rosa de Amor (1902)

Vicente de Carvalho

Poesia11 min de leitura9 páginas

O começo — Olhos verdes

Olhos encantados, olhos cor do mar / Olhos pensativos que fazeis sonhar!

Que formosas coisas, quantas maravilhas / Em vos vendo sonho, em vos fitando vejo: / Cortes pitorescos de afastadas ilhas / Abanando no ar seus coqueiraes em flor, / Solidões tranquilas feitas para o beijo, / Ninhos verdejantes feitos para o amor…

Olhos pensativos que falais de amor!

Vem caindo a noite, vai subindo a lua… / O horizonte, como para recebê-las, / De uma fimbria de oiro todo se debrua; / Afia a brisa, cheia de ternura ousada, / Esfrolando as ondas, provocando nelas / Bruscos arrepios de mulher beijada…

Olhos tentadores da mulher amada!

Uma vela branca, toda alvor, se afasta / Balançando na onda, palpitando ao vento; / Ei-la que mergulha pela noite vasta, / Pela vasta noite feita de luar; / Ei-la que mergulha pelo firmamento / Desdobrado ao longe nos confins do mar…

Olhos scismadores que fazeis cismar!

Branca vela errante, branca vela errante, / Como a noite é clara! como o céu é lindo! / Leva-me contigo pelo mar… Adiante! / Leva-me contigo até mais longe, a essa / Fimbria do horizonte onde te vais sumindo / E onde acaba o mar e de onde o céu começa…

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