A Voz do Sino
O começo
arde triste e silencioza / De vila de beira-mar: / Uma tarde cor de roza / Que vai morrendo em luar…
Ao lonje, a várzea scintila / De uns restos de sol poente; / Mas, por sobre toda a vila / — Do morro a que fica rente / Desce uma sombra tranquila — / E anoitece lentamente.
Não aparece viv’alma.
Nem rumor da natureza, / Nem éco de voz humana / Perturba a infinita calma, / A solitária tristeza / Da pobre vila praiana.
Nem se ouve o mar, lonje, e manso.
A tudo, em redor, invade / Um ar de mole descanso…
Silencio… Imobilidade…
Como que, interrompida, / A correnteza da vida / Fez neste ponto um remanso.
De súbito, rumoreja / Violentamente o ar: / Na torrezinha da igreja / Rompe o sino a badalar.
Ponho-me, atento, a escutá-lo: / Que diz, alto e repentino, / Esse bater de um badalo / Num sino?
Badalo que assim badalas / No sino que assim resoa, / Aves, já nenhuma voa: / Dormem; e vais acordá-las / Á toa…
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