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Entre as Nymphéas

João Marques de Carvalho (1866–?)

RomanceContos1 h de leitura53 páginas

O começo — I

Ergui-me com a estrela dalva, esta manhã.

Oppresso pela atmosfera pesada do aposento, saí logo ao terraço, a receber em cheio na face a brisa que, desde o interior da casa, eu ouvia sacudir valentemente as grandes arvores da floresta, ali perto.

Logo bebi, sôfrego, esse ar embalsamado que enchia o ambiente.

Uma alegria sem par empolgou-me o espirito, sem duvida suscitada pela grandiosa beleza circumdante. Embrenhei-me na mata, seguindo uma azinhaga. Começava a amanhecer. Havia no ar esse murmúrio das aves que despertam,—bulício tépido que só podem avaliar os madrugadores na roça,—um como roçar voluptuoso do frouxel suavíssimo que exorna as inúmeras legiões canoras do Amazonas.

Não sei o tempo que andei quase às apalpadelas, ao longo do carreiro. Interessava-me tanto pelo duplo acordar dos ninhos e das plantas, que só reparei em mim mesmo quando, já dia claro, encontrei-me no cantro de uma bela clareira. Por cima de mim, balbuciava a brisa dulcíssimos rumorejos, agitando as copas verdejantes. Em derredor, porém, era, às vezes, absoluta a tranquilidade das coisas. Por intermitências, nem mesmo um ciciar de passarinho, ou esse misterioso, farfalhante correr de lagarto, que parece suscitar não sei que estranhos sobressaltos nas florestas do meu país.

João Marques de Carvalho (autor) morreu em 1910; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1981.

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