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Contos do Norte (Marques de Carvalho)

João Marques de Carvalho (1866–?)

Contos1 h de leitura55 páginas

O começo — Uma homenagem

Este livro é, na quase totalidade, uma homenagem ao povo paraense. O escritor que traçou os contos seguintes não oculta o pendor do seu espirito pela vida seminomade dos conterrâneos, que tão sobriamente vegetam no coração das florestas. Viajar sempre com eles pelos buliçosos rios amazonicos, extendido no paneiro de popa da embarcação indígena, abertas as velas ao sopro galerno do vivificante marajoara, seria a realização de um sonho, — belo sonho de retrocesso à existência primitiva, se quiserem, mas de intensa consolação moral.

Quando o caboclo, armado do longo varejão por ele mesmo talhado no mato, impele a canoa para o leito da correnteza, fazendo-se ao largo, não pensem que leva cuidados no espirito ou mágoas no coração: a cidade é para ele um agrupamento complexo de seres transviados, o antro onde formigam incompreensíveis falsificações da natureza. Ele afasta-se contente com o cigarro ao canto da boca, uma jucunda satisfação nos recessos da alma. Partindo para o sítio , para a roça, o caboclo é o triumphador das selvas, o zombador dos preconceitos, resignado às inclemências dos homens, — que as da natureza são-lhe familiares e já insensíveis talvez. E quando, ao meio do rio, desdobra as velas à viração,…

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