Via Láctea (Bernardo Soares)
O começo
… com meneios de frase de uma espiritualidade venenosa…
… rituais de púrpura rota, cerimoniais misteriosos de ritos contemporâneos de ninguém.
… seqüestradas sensações sentidas noutro corpo que o físico, mas corpo e físico a seu modo, intervalando sutilezas entre complexo e simples…
lagoas onde paira, pelúcida, uma intuição de ouro fosco, tenuemente despida de se ter alguma vez realizado, e sem dúvida por coleantes requintes, lírio entre mãos muito brancas…
… patos entre o torpor e a angústia, verde-negros, tépidos à vista, cansados entre sentinelas de tédio…
… nácar de inúteis consequências, alabastro de frequentes macerações - ouro, roxo e orlas os entretenimentos com ocasos, mas não barcos para melhores margens, nem pontes para crepúsculos maiores…
… nem mesmo à beira da ideia de tanques, de muitos tanques, longínquos através de choupos, ou ciprestes talvez, segundo as sílabas de sentida com que a hora pronunciava o seu nome…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.