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Críton

Platão (?–-348)

Filosofia25 min de leitura22 páginas

O começo

Por que você veio a esta hora, Críton? Deve ser bem cedo.

Críton:

Sim, é mesmo.

Sócrates:

Que horas são?

Críton:

Está quase amanhecendo.

Sócrates:

Pergunto-me porque o guarda da prisão o deixou entrar.

Críton:

Ele me conhece, porque venho sempre, Sócrates, além disso, eu fiz-lhe uma gentileza.

Sócrates:

Você acabou de chegar?

Críton:

Não, cheguei já faz algum tempo.

Sócrates:

Então, por que você se sentou e não disse nada, em vez de me despertar?

Críton:

Porque eu não gostaria que fizessem isso comigo, Sócrates, estando ainda em tão grande dificuldade e inquietação, como você está, na verdade eu não deveria: assisti com espanto o seu sono tranquilo, e por essa razão eu não o acordei, porqueria minimizar a dor. Sempre soube que você era bem disposto e feliz, mas nunca vi nada parecido com a forma tranquila que você enfrenta esta situação.

Sócrates:

Porque, Críton, quando um homem chega a minha idade, ele não deve sentir descontentamento com a aproximação da morte.

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