Críton
Platão (?–-348)
O começo
Por que você veio a esta hora, Críton? Deve ser bem cedo.
Críton:
Sim, é mesmo.
Sócrates:
Que horas são?
Críton:
Está quase amanhecendo.
Sócrates:
Pergunto-me porque o guarda da prisão o deixou entrar.
Críton:
Ele me conhece, porque venho sempre, Sócrates, além disso, eu fiz-lhe uma gentileza.
Sócrates:
Você acabou de chegar?
Críton:
Não, cheguei já faz algum tempo.
Sócrates:
Então, por que você se sentou e não disse nada, em vez de me despertar?
Críton:
Porque eu não gostaria que fizessem isso comigo, Sócrates, estando ainda em tão grande dificuldade e inquietação, como você está, na verdade eu não deveria: assisti com espanto o seu sono tranquilo, e por essa razão eu não o acordei, porqueria minimizar a dor. Sempre soube que você era bem disposto e feliz, mas nunca vi nada parecido com a forma tranquila que você enfrenta esta situação.
Sócrates:
Porque, Críton, quando um homem chega a minha idade, ele não deve sentir descontentamento com a aproximação da morte.
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