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O Alforje da Boa Razão

Bruno Seabra (1837–1876)

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O começo

Quem me a mim quer bem / Diz-me do que sabe, / Dá-me do que tem.

Ao Sr. Manoel de Mello

Meu caro Manoel de Mello

Desejara eu hoje ver impresso o manuscrito que a esta acompanha.

Não o escrevi com esse intento.

Em geral os que publicam seus escritos, se prolongam, nas três primeiras linhas declaram que tirá-los à luz nunca tiveram em mente . Seguem-se logo às três linhas umas vinte expondo o que motivou a publicação. Quase sempre — instâncias de alguns amigos ou conhecentes (os quais, aqui entre nós, só depois do escrito impresso dele hão notícia). Há os mais ingênuos , por não dizer engenhosos . Estes confessam não merecer o livro a honra de ser tirado a lume ; entretanto, trazem-no, como o único escopo — de lembrar tal ou qual ideia , que, porventura, desenvolverá pena mais bem aparada .

Não lhe parece que estou refraseando de mim próprio.

Pois eu lhe conto.

Houve em minha vida um dia de verdadeira e suavíssima comoção.

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