Angélica e Firmino
O começo — I
Sala com uma janela à direita, que deita para o mar; duas portas no fundo que dão ingresso para a alcova de Firmino, à esquerda, e para sua biblioteca, à direita. No meio da sala uma grande banca com lampião de globo, muitos livros, brochuras, mapas, papéis espalhados, instrumentos de física, tudo formando uma pitoresca desordem. É noite.
FIRMINO, abrindo a janela
[FIRMINO] – Que formoso luar! Como é límpida a atmosfera dos trópicos! Como brilha o Cruzeiro do Sul entre essas miríadas de sóis que iluminam o trono do Senhor, e como tudo na terra se prepara embalsamar o coração no mais suave perfume! Tudo dorme e se refocila para a continuação da obra que hoje findou. A ampulheta diária renovará as mesmas cenas no dia de manhã; o círculo de luz que começa na aurora e acaba com as trevas se fechará sem lançar um raio no futuro, nesse futuro imenso, aonde dorme o gigante do Equador, e em cujo trono virá um dia assentar-se a nobre civilização, escoltada do seu séquito sublime, e avultar no mundo quanto o Amazonas avulta sobre todos os rios da Terra. Ó…
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