Os Lobisomens
O começo — I
Acabada a sinfonia ouvem-se três palmas. Sobe o pano.
AMÁLIA, com um dominó branco, defronte do espelho em atitude de quem é surpreendida. Tira a máscara; ouve forçar a porta da rua; abre-a repentinamente e corre para a alcova dizendo:
AMÁLIA - O que diria ele se me apanhasse assim?!
TIBÚRCIO (Entrando pela mesma porta) - Cuidei que estivesse fechada; é bom insistir. Até as portas andam aqui fazendo figas à gente! Aqui não está ninguém! Quem bateria, pois, estas palmas? O diabo parece que anda nesta casa! (Ouvem-se novamente as palmas.) É cá fora. Vamos ver quem é; se não for alma do outro mundo.
ALFREDO, JÚLIA e TIBÚRCIO
JÚLIA (Com um dominó azul) - Seu amo já veio? A senhora está aí? Responde, depressa!
TIBÚRCIO (Compassadamente) - Meu amo já entrou… mas tornou a sair; e a senhora está em casa. Creio que está lendo. Os senhores estão muito bonitos assim!
JÚLIA - Vai chamá-la, que tenho muita pressa.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.