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Os Lobisomens

Araújo Porto Alegre

Teatro1 h 40 de leitura90 páginas

O começo — I

Acabada a sinfonia ouvem-se três palmas. Sobe o pano.

AMÁLIA, com um dominó branco, defronte do espelho em atitude de quem é surpreendida. Tira a máscara; ouve forçar a porta da rua; abre-a repentinamente e corre para a alcova dizendo:

AMÁLIA - O que diria ele se me apanhasse assim?!

TIBÚRCIO (Entrando pela mesma porta) - Cuidei que estivesse fechada; é bom insistir. Até as portas andam aqui fazendo figas à gente! Aqui não está ninguém! Quem bateria, pois, estas palmas? O diabo parece que anda nesta casa! (Ouvem-se novamente as palmas.) É cá fora. Vamos ver quem é; se não for alma do outro mundo.

ALFREDO, JÚLIA e TIBÚRCIO

JÚLIA (Com um dominó azul) - Seu amo já veio? A senhora está aí? Responde, depressa!

TIBÚRCIO (Compassadamente) - Meu amo já entrou… mas tornou a sair; e a senhora está em casa. Creio que está lendo. Os senhores estão muito bonitos assim!

JÚLIA - Vai chamá-la, que tenho muita pressa.

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