Maria Dupplessis
O começo
Fiz promessa, dizendo-te que um dia / Eu iria pedir-te o meu perdão; / Era dever ir abraçar primeiro / A minha doce e ultima afeição.
E quando ia apagar tanta saudade / Encontrei já fechada a tua porta; / Soube que uma recente sepultura / Muda fechava a tua fronte morta.
Soube que, após um longo sofrimento, / Aggravára-se a tua enfermidade; / Viva esperança que eu nutria ainda / Despedaçou cruel fatalidade.
Vi, apertado de fatais lembranças, / A escada que eu subira tão contente; / E as paredes, herdeiras do passado, / Que vem falar dos mortos ao vivente.
Subi e abri com lagrimas a porta / Que ambos abrimos a chorar um dia; / E evoquei o fantasma da ventura / Que outr'ora um céu de rosas nos abria.
Sentei-me à mesa, onde contigo outr'ora / Em noites belas de verão ceiava; / Desses amores placidos e amenos / Tudo ao meu triste coração falava.
Fui ao teu camarim, e vi-o ainda / Brilhar com o esplendor das mesmas cores; / E pousei meu olhar nas porcelanas / Onde morriam inda algumas flores…
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