Musa Velha
Francisco Palha (1826–1890)
O começo — DONA MORTE
Deu na tonta de entrar na minha escada à Dona Morte um dia. A pobre anda estafada do continuo ceifar desde que ao nada por divinaes processos da alchimia a terra foi roubada. * Da comprida queixola desdentada esta sentida nenia lhe saía: —Senhor! forte estopada! Sem poisar a caveira o mundo corro. 8 Em toda a parte estou. A toda a hora prostro alguém a meus pés, e geme, e chora por minha culpa alguém! Nenhuma aurora, de luz nenhuma o jorro, as orbitas vazias me alumia!… Nunca uma esp'rança! nunca uma alegria! À dor alheia pondo um suave termo só a minha o não tem!… Só eu não morro enquanto o mundo não tornar um ermo!… À obra! À obra!— E lepida subindo tocou a campainha: um lúgubre tocar que…
Francisco Palha (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.