Fausto (Traduzido por Antônio Feliciano de Castilho)
O começo — Advertência do Tradutor
A tragédia Fausto de Goethe aclamado imperador pontífice dos poetas da Alemanha, é obra indubitavelmente única no seu gênero.
Em menos de meio século todas as nações têm forcejado para a ler e estudar nos próprios idiomas. Em toda a parte os mais soberbos talentos lhe sentiram em si os influxos triunfais, ao mesmo passo que o senso das turbas mal sabia como se houvesse com as trevas e monstros desta cordilheira de poesia rebentada a súbitas de profundezas desconhecidas.
De nenhum outro livro se tem dito e escrito tanto; é por que este é que foi o verdadeiro padrão que estremou o mundo poético antigo do mundo poético hodierno. Pode-se-lhe já hoje, sem medo de arriscar a profecia, aplicar o que o diabo e os anjos dizem da Margarida no final da primeira parte do poema: – Sentenciada! – Salva!
Como quer que seja, o indubitável é que esta Bíblia ou Alcorão, esta como que filosofia mal distinta, esta reforma da religião poética, merece e necessita que se teime ainda (e Deus sabe até quando) em na discutir; que só depois de bem padejado o grão na eira e levado no vento o palhiço, é que se averigua que abastança entrou para a tulha, e com que pão se pode contar, se ainda assim o gorgulho se não meter meeiro com o lavrador.
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