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Ode Marcial

Álvaro de Campos

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Inúmero rio sem água — só gente e coisa, Pavorosamente sem água! Soam tambores longínquos no meu ouvido E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores, Como se não pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo Helahoho! Helahoho! A máquina de costura da pobre viúva morta à baioneta… Ela cosia à tarde indeterminadamente… A mesa onde jogavam os velhos, Tudo misturado, tudo misturtado com os corpos, com sangues, Tudo um só rio, uma só onda, um só arrastado horror Helahoho! Helahoho! Desenterrei o comboio de lata da criança calcado no meio da estrada, E chorei como todas as mães do mundo sobre o horror da vida. Os meus pés panteístas tropeçaram na máquina de costura da viúva que mataram à baioneta E esse…

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