
Obras Poéticas de Nicoláo Tolentino de Almeida, Tom. II
Nicolau Tolentino (1740–?)
O começo — QUINTILHAS
Oferecidas ao Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Conde de S. Lourenço .
Ante vós, Claro Senhor, / Que pondes os sãos cuidados / De bons estudos no amor, / E que de homens aplicados / Sois o exemplo, e o protetor;
Levanto sem pejo a voz; / Que essa alma nunca despreza / O pouco que encontra em nós; / Não produz a Natureza / Muitos homens como vós;
Pois vi outr'ora amparado / O discreto, e doce Brito, / Triste moço, em flor cortado, / Que ia alevantando o esprito, / De vossas luzes guiado;
Pois na vida lhe adoçastes / De seu fado a má ventura, / E não vos envergonhastes, / Quando a fria sepultura / Com as lagrimas lhe honrastes;
Se os seus Versos sonorozos / Inda repetis com mágoa; / E pensamentos saudozos / Vos trazem aos olhos água, / Que os deixa, Senhor, formozos;
Hoje, outro triste vos faça / Nascer iguais sentimentos; / Com os vossos pés se abraça; / Não tem os mesmos talentos; / Mas tem a mesma desgraça;
Nicolau Tolentino (autor) morreu em 1811; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1882.