
O Uraguai
Basílio da Gama (?–1795)
O começo — I
Fumam ainda nas desertas praias / Lagos de sangue tépidos e impuros / Em que ondeiam cadáveres despidos, / Pasto de corvos. Dura inda nos vales / O rouco som da irada artilheria. / Musa, honremos o Herói que o povo rude / Subjugou do Uraguai, e no seu sangue / Dos decretos reais lavou a afronta. / Ai tanto custas, ambição de império! / E Vós, por quem o Maranhão pendura / Rotas cadeias e grilhões pesados, / Herói e irmão de heróis, saudosa e triste / Se ao longe a vossa América vos lembra, / Protegei os meus versos. Possa entanto / Acostumar ao voo as novas asas / Em que um dia vos leve. Desta sorte / Medrosa deixa o ninho a vez primeira / Águia, que depois foge à humilde terra / E vai ver…
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