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O Uraguay

Basílio da Gama (?–1795)

Poesia43 min de leitura38 páginas

O começo — I

CANTO PRIMEIRO / FUmão ainda nas deſertas praias / Lagos de ſangue tepidos, e impuros, / Em que ondeão cadáveres deſpidos, / Paſto de corvos. Dura inda nos vales / O rouco ſom da irada artilheria. / Musa, honremos o Heroe, que o povo rude / Subjugou do Uraguay, e no ſeu ſangue / Dos decretos reais lavou a afronta.

Ai tanto cuſtas, ambição de império! / E Vós, por quem o Maranhão pendura / Rotas cadeias, e grilhões pesados, / Heroe, e Irmão de Heroes, ſaudoſa, e triſte / Se ao longe a voſſa America vos lembra, / Protegei os meus verſos. Poſſa entanto / Acoſtumar ao voo as novas azas, / Em que um dia vos leve. Deſta ſorte / Medroſa deixa o ninho a vez primeira / Aguia, que depois foge à humilde terra

E vai ver de mais perto no ar vaſio / O eſpaço azul, onde não chega o raio. / Já dos olhos o véu tinha raſgado / A enganada Madrid, e ao Novo Mundo / Da vontade do Rei nuncio ſevero / Aportava Cataneo: e ao grande Andrade / Aviſa que tem prontos os ſocorros, / E que em breve ſahia ao campo armado. / Não podia marchar por hum deſerto / O noſſo General, ſem que chegaſſem

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