
Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil
José de Anchieta (1534–1597)
O começo — I
Nesta língua do Brasil não há f, l, s, z, rr dobrado nem muda com líquida, ut cra, pra, etc. Em lugar do s in principio ou médio dictionis , serve ç com zeura, ut Açô , çatâ .
Algumas partes da oração se acabam em til, o qual não é m nem n, ainda que na pronunciação difiram pouco, ut Tĩ , Ainupã , ruã .
Não há uma consoante continuada com outra na mesma dição: exceto mb, nd, ng ut Aimombôr , Aimondô , Aimeêng .
Acrescentando-se alguma partícula depois da última consoante, em que se acaba o verbo, o qual se faz no futuro, do Indicativo, no Optativo, nos pretéritos imperfeitos do Conjuntivo; há alguma diferença na pronunciação, e o uso de diversas partes do Brasil será melhor mestre. Por que desde os Potiguares do Paraíba até os Tamoios do Rio de Janeiro pronunciam inteiros os verbos acabados em consoante, ut Apâb , Acêm , Apên , Ajur .
E assim aditas as partículas dos tempos sobreditos interpõem i áspero, ut in futuro , ne Apâbine , Acêmine , Apênine , Aiùrine .
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